segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Verdades


"Prefiro as verdades que vem da alma e do coração, do que as superficiais, que a nada me levarão..."

sábado, 13 de dezembro de 2008

A entrega


"Quando ele a tocou pela primeira vez, seu corpo estremeceu, sentiu o sangue subir instantaneamente. Teve vontade de suspirar fortemente, ele era forte, alto e tinha um cheiro inconfundível. Por um momento, parou para pensar no que estava acontecendo. O seu cheiro enlouquecedor, a fazia subir pelas paredes, queria se entregar mas sabia que não era a hora. Ele abriu a camisa, depois acariciou seus seios como quem tocasse em uma rosa pela primeira vez, sentiu um calor lhe aquecer por dentro. Ele a beijou intensamente, os suspiros aumentaram, chovia lá fora. Os vidros foram ficando embaçados, mas mal puderam perceber, pois estavam envolvidos, mal conseguiam se controlar tremiam por dentro, como se fossem tomados por um furacão . Ele arrancou seu cachicol com voracidade, e a olhou como quem quisesse consumí-la por inteiro. Ela perdeu os sentidos, e a cada minuto ela desabrochara cada vez mais. Com isso, ele foi descendo sua mão, percorreu pela barriga dela e a beijou carinhosamente, fazendo-a sentir o tremor de sua língua percorrendo pelo seu corpo inteiro. Envolvidos pelo desejo de paixão, embora ela resistisse aquele momento, ele abriu cuidadosamente sua calça, ela debatia-se contra a porta, mas era tarde estava completamente dominada. Tentando resistir aos seus doces encantos, ela dizia não, o empurrava muitas vezes, mas o seu olhar o devorava intensamente, como se insconcientemente aceitasse seus carinhos. Como pudera encontrar aquele belo homem, que a fez mudar completamente seu comportamento, ela não entendia, tinham acabado de se conhecer! Não parecia certo, mas era certamente tentador. Ele a pegou no colo, com isso, ela conseguiu sentir sua tamanha excitação. Era impossível disfarçar a entrega física que acontecera naquele momento. Sentiu-se indefesa, uma vítima em potencial daquele devorador insaciável, que mexeu completamente com todos os seus sentidos, afinal, ela era tão controladora consigo mesma, pois dificilmente imaginava que um dia cairia em um cilada destas. Mas aquele cheiro, aquela pele, aquelas mãos, nossa...Com certeza, mais cedo ou mais tarde ela cometeria um pecado. Um pecado que a pudesse se sentir culpada mais tarde, mas que na hora seria estranhamente prazeroso. Ele pressionava seu corpo contra o dela, era intenso. O coração dele batia a mil, enquanto falava baixinho no ouvido o quanto ela era linda. Com medo do que pudesse acontecer, ela se afastou bruscamente. Não satisfeito, ele a puxou de volta, pegou sua mão e delicadamente foi passando pelo seu corpo, ela ficou sem reação. Ela apenas fechou os olhos, conseguiu sentir a ferocidade que a aguardava ansiosamente. Jamais pudera imaginar, que ali era só um início de toda sua empolgação. Foi quando ele saiu fora de si, não conseguia se segurar diante daqueles olhos devoradores, ele a admirava, uma mistura de encantamento com desejo, ali mesmo percebeu o quanto ela era especial. Ele que sempre disfarçava seu sentimento, sempre tão previsível, naquele momento perdeu completamente o controle. E quando se deram por conta, já estavam um sobre o outro. Ele percorria minuciosamente pelo seu corpo esguio. Ela gemia cada vez mais, enquanto ele agarrava-lhe pelos seus cabelos negros. Aquela pele branca, tão ingênua, e agora, tão impetuosa! Já não se tinha mais o que falar, e nem o que fazer, não havia mais resistência. Estavam entregues um ao outro, dois desconhecidos que faziam amor loucamente, como velhos conhecidos. Não se percebia o tempo lá fora, não tinha hora para voltar, restava apenas aproveitar aquele momento efêmero. Sugavam um ao outro como dois vampiros em busca de sangue. Tinham sede um do outro. Agarravam-se fortemente, como se o mundo fosse acabar naquele instante. Nada, nem ninguém, poderia impedir aquelas sensações. Era mágico.
Os seus corpos entregavam-se com tal espontaneidade! O corpo dela era como um quebra-cabeça enfeitiçador. E como no jogo, ele desejava explorar e descobrir todos os detalhes, cada peça era essencial para montar o jogo por completo. Uma atração inevitável e fervorosa. Aquele seria o momento de mais puro extâse. As palavras já não eram bem vindas, somente a linguagem corporal representavam mais do que todas as inadagações que poderiam ser feitas, não havia mais perguntas, apenas prazer. Juntos compartilhando a mesma sensação, que não parecia ter fim. Sedução, envolvimento, paixão ardente... Enfim, o prazer alcançou o seu ápice, não havia mais cura para aquele veneno carnal que dominava ambos os corpos. Eram dois, mas naquele instante conseguiram pela primeira vez, tornarem-se um só..."

sábado, 6 de dezembro de 2008

Registro de memória


"Sim, ela era mais uma entre tantas...Ali havia o desejo de crescer, ser alguém que nunca imaginara ser. Os seus olhos de menina, as marcas da vida expostas em sua face. Não sabia falar, não sabia se expressar, mas os seus olhos se expressavam. Não tinha conhecimento, não tinha dons, não sabia escrever. Sabia o que queria, era boa mãe de família, um exemplo de mulher guerreira, mas não acreditava na sua capacidade. Não sabia pensar, tinha medo de errar mas desejo em acertar, contudo, não queria ser alguém na vida. Sua vida era comum, não tinha dinheiro, não tinha jóias, mas carregava a sua bruta riqueza interior. Sua fala parecia um relincho de cavalo, não sabia pronunciar, não tinha harmonia em reproduzir as palavras. Morava distante, numa casa simples afastada da cidade, acendia a lareira, não sabia o que era música, mas sabia acender a fogueira. Não entendia de arte, nem de cinema, mas cozinhava bem. Não sabia o que era notícia, não entendia de política nem de economia, não entendia também a lógica da vida, mesmo assim, não reinvindicava. Admirava as artistas, assistia todas as novelas, mas não decorava nem metade delas. Nunca sabia o que queria, era manipulada facilmente, pedia opiniões, mas nunca as entendia por si só. Contava histórias pela metade, fatos sem lógica, era distraída mas não deixava de ser bem vivida. Era só mais alguém no meio da multidão, não tinha desejos, nem ambição. Ignorante, não tinha conhecimento, mas algo me chamou a atenção. Afinal, qual era o seu encanto então? Ela simplesmente carregava o que muita gente inteligente não carrega consigo: o brilho no olhar. Ah aquele brilho no olhar...Tenho certeza de uma coisa, jamais conseguirei me esquecer dele..."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Nossa desigualdade


"Igualdade é nosso desejo
Leis são apenas papéis
Justiça é nossa imperfeição
Promessas do governo, são dívidas sociais
Direitos não são cumpridos
Deveres são cobrados
Fome é a nossa vergonha
Emprego é dignidade
Favelas são nossas incertezas
Miséria é nosso desespero
Desespero é ver nosso país
Esperança é anseio do povo
Mas afinal, quem nos dá esperança?
Se nem ao menos temos segurança
que um dia, nosso país vai melhorar
Quem pode nos afirmar,
que todos esses problemas irão acabar?
Devemos lutar?
A resposta é óbvia
vivemos num país democrático
lutar nunca é tarde
tarde é ficar esperando
por um milagre do governo
Será que somos cegos?
ou foi o governo que nos cegou?
diante desta triste realidade
Não adianta
já sabemos da nossa verdade...
A ignorância já faz parte
do nosso país
é chato saber
mas ela é a causadora
dessa situação tão infeliz
Será que um dia isto terá fim?
Isso eu já não sei
Mas de uma coisa eu sei
Devemos lutar por um final feliz
pois apesar de tudo
ainda amamos nosso país..."